Lições da Babilônia: Controle seus Gastos, por Chael Mazza e Elvira Cruvinel

“(…) Façam o orçamento de suas despesas de modo que possam ter dinheiro para pagar pelo que é necessário, pelos prazeres e para satisfazer seus mais valiosos desejos sem despender mais do que nove décimos de seus ganhos”
(CLASON, 1926:45).

Se perguntarmos quanto é seu salário hoje, provavelmente terá essa resposta na ponta da língua. Mesmo que seja um número variável, você saberá dizer o quanto recebe em média. Somos muito bons em saber exatamente quanto ganhamos, seja para podermos comparar com alguma expectativa de sucesso ou simplesmente para saber o que podemos comprar.

Por outro lado, se perguntarmos qual o total dos seus gastos hoje, ou seja, qual o valor de suas despesas mensais, dificilmente tem-se isso de forma exata na cabeça. Infelizmente, é uma informação que tratamos como secundária.

A verdade é que saber quanto se gasta e como se gasta é fundamental para o sucesso financeiro. Como diria Peter Drucker, pensador e administrador: não é possível gerenciar aquilo que não controlamos. Ou seja, o primeiro passo para qualquer gestão de suas finanças pessoais é saber exatamente o quanto você gasta.

Os antigos babilônios sabiam que controlar seu dinheiro era fundamental para sua riqueza. E, nesse processo, saber para onde ia o dinheiro era uma tarefa até prazerosa, pois permitia a eles se destacarem entre os demais. A qualquer momento, sabiam para onde estava indo seu ouro e como poderiam fazer para obterem mais ouro.

Assim, a segunda lição dos babilônios se baseia justamente na necessidade de controlar nossos gastos. Precisamos aprender com os antigos, pois o controle e registro de nossas despesas, apesar de parecer ser algo cansativo de se fazer, é na verdade uma ação extremamente libertadora. Para ajudá-lo na aplicação dessa lição, sugerimos o passo a passo seguinte em três etapas:

1) Elabore um Orçamento Pessoal

Nesse aspecto, não é necessário muito. Um lápis e um papel já resolvem, mas quem preferir pode utilizar algum aplicativo ou planilha no computador. Existem diversas opções disponíveis gratuitamente. De qualquer modo, a ideia central de qualquer orçamento pessoal é simplesmente saber quanto e como se gasta.

Para começar, basta elencar, de um lado, todas as suas receitas, ou seja, todo o dinheiro que entra. Para a maioria das pessoas, será apenas o salário ou o ganho de seu trabalho, mas podem ser também rendimentos de negócios ou aluguel de imóveis, como exemplos.

Do outro lado, liste todas as suas despesas, dividindo-as entre fixas – aquelas praticamente constantes todos os meses – e variáveis – aquelas cujo valor se alteram todos os meses e tem a ver com o uso daquele bem ou serviço que você teve naquele mês. A fatura do cartão de crédito e as contas e boletos pagos podem ajudar a identificar esses valores.

Como exemplo de despesas fixas, temos a conta de aluguel, água, luz, telefone, internet, netflix, mensalidade escolar, prestação de bens duráveis, como um celular ou geladeira, dentre outros, ou mesmo financiamentos ou empréstimos que você tomou por diversos anos ou meses. Já como exemplo de despesas variáveis, temos os gastos com supermercado, compras diversas, cinema, festas, shows, bares e restaurantes; e também gastos inesperados, como um remédio extra ou um conserto de um computador ou outro bem.

Após descobrir para onde vai seu dinheiro, agrupe as despesas em categorias, ou seja, junte itens similares; por exemplo, uma categoria poderia ser “lazer”, onde entrariam despesas com bares, restaurantes, diversão e entretenimento. Outra categoria poderia ser simplesmente as contas de supermercado. A melhor categorização vai depender do rol de suas despesas e de seu estilo de vida. A ideia é que as categorias façam sentido para você, de forma a facilitar a visualização do tipo de gasto que você está tendo.

Com isso, você saberá onde exatamente estão seus gastos, tanto fixos quanto variáveis – podendo então partir para controlá-los!

2) Defina seu Modelo de Dinheiro

O Modelo de Dinheiro nada mais é do que a forma como você gasta seu dinheiro. Para isso, você deve estipular limites de gastos para cada categoria que você criou na etapa anterior.

Um modelo básico é o 70-20-10. Nele, a definição é que, de tudo o que você receber, considerando sempre o valor líquido (ou seja, depois dos impostos), 10% deve ir para investimentos visando a sua aposentadoria ou independência financeira; 20% para pagar dívidas ou, caso não tenha dívidas, para investir em sonhos de longo prazo – como uma casa própria, a troca do carro ou uma viagem dos sonhos; e os 70% restantes devem ser utilizados para os gastos do cotidiano. Ou seja, o somatório das suas despesas – fixas e variáveis –, exceto as dívidas, deve ser no máximo 70% do seu salário.

Esse modelo é interessante pois todas as duas dívidas devem ser limitadas a no máximo 20% dos seus ganhos. Além disso, você garante que está investindo 10% de tudo o que ganha no seu futuro.

E, para os 70% restantes, a recomendação é que haja também limites, por exemplo 40% para despesas fixas e 30% para as variáveis; dentre as despesas variáveis, ainda é preciso definir limites para cada categoria, conforme sua conveniência.

Esse exercício gera resultados interessantes, pois você passa a controlar os seus gastos por limite, tendo como meta não ultrapassá-los.

Essa técnica é chamada técnica dos envelopes. Ela ajuda a visualizar suas categorias de despesas como contas separadas, onde você cria envelopes imaginários para depositar o dinheiro que você separou para aquela conta. Quando o valor no envelope acabar, não tem mais como gastar naquele mês, com aquela despesa.

Um ponto relevante aqui é que, ao final do mês, o dinheiro que sobrou em um envelope pode ser utilizado para cobrir um custo extra de outro envelope onde tenha faltado dinheiro. Desde que não se gaste mais do que a soma total dos envelopes, tudo fica dentro dos conformes.

3) Controle seus limites de gastos

Depois de passar pelas etapas anteriores, resta apenas o controle. A cada despesa realizada, você deve registrar o valor numa das categorias do seu orçamento. Planilhas e aplicativos tornam esse registro bem fácil de fazer, muitas vezes, de forma automática.

É fundamental acompanhar o limite geral de cada categoria de despesa. Ou seja, se você definiu até 10% do seu salário para a categoria lazer, quando esse limite é alcançado, a ideia é que você evite esse tipo de gasto até finalizar o mês. Como alternativa, pode utilizar o saldo do envelope supermercado, por exemplo, caso queira; lembrando que, nessa segunda situação, o outro envelope terá seu limite reduzido naquele mês.

Um acompanhamento importante é o limite do gasto geral com o cartão de crédito. Para isso, some o total das despesas fixas e variáveis que você costuma pagar com o cartão, de forma a ter o limite global de gasto do cartão de crédito. Controle o limite de sua fatura do cartão e verá a diferença que isso fará em sua vida.

Com o tempo essa prática torna-se rotina, e você aprende a gostar e melhorar seu modelo de dinheiro para fazer caber tudo o que você quer comprar e, ao mesmo tempo, sobrar dinheiro.

No blog Curta Finanças você encontra um modelo de planilha para controlar seus gastos, clique abaixo e conheça!

“Qual pode ser o maior anseio de vocês? (…) Coisas que rapidamente se vão e são esquecidas? Ou, pelo contrário, sonhariam com bens mais estáveis (…), investimentos que trazem bons lucros? As moedas que vocês usam no dia a dia concedem aqueles primeiros desejos. As que vocês guardam, os segundos. (CLASON, 1926:43).

Lições da Babilônia: Comece a Fazer seu Dinheiro Crescer

“(…) em cada dez moedas conseguidas de qualquer fonte, não gastem mais do que nove”. (CLASON, 1926:43)

Uma das lições dos antigos mais básica sobre como lidar com o dinheiro – e talvez a mais conhecida da população, embora não seguida pela maioria –, é gastar menos do que se ganha. Muitos ditados populares evidenciam essa regra de ouro, tais como “quem come e guarda, duas vezes põe a mesa” ou “quem tem cem mas deve cem, pouco tem”.

O fato, porém, é que a maioria das pessoas hoje sabe muito bem somente como gastar seu dinheiro, o que as faz trabalhar para simplesmente pagar suas contas.

Se perguntarmos, por exemplo, o que faríamos se encontrássemos uma sacola cheia de barras de ouro, a primeira coisa que vem à nossa cabeça é como gastar esse dinheiro. Reformar a casa, comprar um novo carro ou um celular do ano etc. Possuímos um modelo mental que nos direciona a gastar antes de pensar em poupar e em como o dinheiro pode render e se multiplicar.

A primeira lição dos babilônios, no livro “O homem mais rico da Babilônia”, de Clason (1926), vai nessa direção: é preciso guardar dinheiro de forma habitual e fazê-lo render, gerando riqueza para você!

A sabedoria milenar indica que o hábito de poupar de forma constante e consistente é, muitas vezes, mais importante do que o quanto se ganha ou os bens que se possui. Na Babilônia, isso representava a liberdade para realizar novos negócios e obter distinção entre os semelhantes. Na prática, indica a diferença entre ser escravo do dinheiro ou fazê-lo trabalhar para você! O que você prefere?

Assim, essa primeira lição nos traz algo muito importante, que é o fato de que se você não souber lidar com o dinheiro, vai passar sua vida inteira atrás dele, indicando então a necessidade de encarar o dinheiro como algo positivo e que trabalhe para você, não o contrário! Por vezes, existe uma espécie de tabu ou dificuldade em falar sobre dinheiro, negando-se por exemplo o desejo de ficar rico e de acumular riqueza, como se isso fosse algo pecaminoso. A atual crise tem reforçado o argumento de que o equilíbrio financeiro é indistintamente importante para a harmonia na vida das pessoas, das famílias, das empresas e das nações.

Assim, a primeira lição dos babilônios se baseia justamente em inverter a lógica e passar a pensar em como fazer o dinheiro crescer, seja pela redução de suas despesas, aumento de suas receitas, ou por meio de investimentos – ou as três soluções juntas. Para ajudá-lo a visualizar como isso é simples, dividimos essa primeira lição em três regras para fazer seu dinheiro crescer:

1) Gaste menos do que ganha

Apesar de parecer óbvio, poucas pessoas o fazem, devido ao fato de que é necessário saber duas coisas para realizar essa tarefa: o quanto se ganha e o quanto se gasta. Aqui entra então o papel do orçamento pessoal, ferramenta fundamental para descobrir onde está e para onde vai o seu dinheiro.

Isso é tão importante que a segunda lição dos babilônios, no próximo artigo, vai focar nesse ponto. É interessante registrar, por ora, que os antigos babilônios logo descobriram que controlar seu dinheiro e fazer sobrar todo mês era fundamental para a riqueza e para obtenção de maiores honras e respeito perante a sociedade.

2) Guarde pelo menos 10% do que ganha

Decorrência direta da regra anterior, essa dita que você deve guardar pelo menos 10% do que ganha. É fundamental que você guarde esse dinheiro com a mesma determinação com a qual paga suas contas todo mês.

Guardar um montante todo mês terá um impacto positivo impressionante em sua vida, pois você passará a ter uma reserva para eventuais necessidades e para seus projetos. E o melhor é que você deixará de estar sempre preocupado com dinheiro e passará a respirar mais tranquilamente quando esse for o assunto.

E a grande notícia é que esse dinheiro, se investido de forma regular, se multiplica de forma exponencial. Tão importante é essa multiplicação que a terceira lição dos babilônios tem exatamente esse foco.

Caso tenha dívidas, separe um montante fixo também de seu orçamento para quitá-las mais rapidamente, sem tirar dos 10% que estão sendo investidos. O recomendável nesse caso seria 20%.

Os antigos babilônios sabiam que não deviam gastar mais do que 70% de seus ganhos com sobrevivência e estilo de vida, separando sempre 10% para investir e 20% para pagar dívidas ou, caso não as tenha, poupar para sonhos maiores – uma casa nova ou uma viagem, por exemplo.

Esse é o modelo babilônico do 70-20-10. Simples, mas poderoso.

3) Pague a si mesmo primeiro

Ao receber seu salário ou outros rendimentos, você deve separar primeiro aquilo que é para você investir e quitar dívidas e depois você pode gastar o restante.

A maioria das pessoas opta pelo contrário. Pagam todas as contas, faturas de cartão de crédito, luxos eventuais e investem o que sobra, quando sobra. Esse comportamento apenas reforça a atitude de gastar tudo o que ganha e é o motivo da maioria dos brasileiros estarem endividados ou não possuírem reservas. Assim, estão sempre sofrendo com a falta de dinheiro.

Separe o que é seu primeiro! Apenas assim terá a garantia de estar investindo e construindo seu patrimônio de forma consistente com o passar dos anos.

Essa regra é facilitada quando você segue as duas anteriores, ou seja, quando há planejamento. Você sabe exatamente quanto ganha e gasta, consegue guardar pelo menos 10% do que ganha para investir e faz isso logo que recebe seu dinheiro.

Os antigos babilônios sabiam que essa era a receita da riqueza, e por isso eram um povo tão próspero, mesmo habitando em meio a um deserto árido. Esperamos que, da mesma forma, essa primeira lição possa auxiliar você a transformar sua vida financeira, independente das circunstâncias e adversidades, plantando então as sementes da riqueza na sua vida!

(…) certamente é uma lei dos deuses que, para aquele que poupa e não gasta uma determinada parte de seus ganhos, o dinheiro virá mais facilmente. De modo curioso, ele costuma evitar aquele cuja bolsa se mantém sistematicamente vazia”.
(CLASON, 1926:43).

Para mais dicas sobre finanças, siga a página @curtafinancas, no instagram!

Elvira é doutora em Administração pela FGV e possui ampla experiência com educação financeira. Chael é doutor em Administração pela UNB e criador do @curtafinancas no Instagram. O conteúdo do artigo é de inteira responsabilidade dos autores, não representando posicionamento da instituição em que trabalham.

Sete lições para aprender a lidar com o dinheiro, por Elvira Cruvinel e Chael Mazza

“O rei (…) perguntou:

– Por que deveriam tão poucos homens ser capazes de adquirir todo o ouro?
– Porque sabem como fazê-lo (…)
– (…) existe algum segredo para isso? Trata-se de algo que possa ser ensinado?
– Naturalmente, Majestade. Tudo o que o homem conhece pode ser ensinado aos outros. (…)”
(CLASON, 1926:37-39)

A humanidade, desde cedo, teve que aprender a lidar com o dinheiro. Passamos de uma época onde predominava o escambo, forma de transação onde se troca diretamente um bem que você possui por outro de seu interesse, para o momento onde o dinheiro foi criado. Este, por sua vez, já assumira diferentes formas – conchas, sal, ouro, papel-moeda –, mas sempre com a mesma função de ser um denominador padrão de troca para as negociações no mercado.

Nesse cenário, a organização financeira se mostra como habilidade essencial desde os tempos antigos, pois aquele que não era capaz de gerir o próprio patrimônio acabava normalmente arruinando não apenas sua riqueza, mas também sua reputação. Assim, princípios e regras de finanças pessoais, criados à época da antiga Babilônia, acabaram sedimentando-se em dogmas modernos, que perseveraram ao longo dos anos e nos trazem importantes ensinamentos até hoje.

A antiga Babilônia foi uma cidade mesopotâmica berço da civilização e uma das maiores da antiguidade. Um lugar muito à frente de seu tempo, onde constam alguns dos escritos mais antigos, o embrião das leis modernas e os primórdios do comércio de mercadorias. Foi justamente nesse mercado e ambiente econômico favorável, onde os homens, pela primeira vez, tiveram que aprender a lidar com os fluxos de dinheiro para poder ascender nas classes sociais.

Nesse contexto é que entram as lições dos antigos, que, embora seculares, até hoje não são de pleno conhecimento de toda a população. O objetivo deste artigo é, portanto, trazer para o contexto atual ensinamentos que muito ajudaram os antigos a encontrar os caminhos da riqueza, resgatando para isso as lições apresentadas no livro “O homem mais rico da Babilônia”, escrito por George S. Clason, em 1926.

Há que se ressaltar que o mercado financeiro se tornou complexo – com possibilidades de adiantamentos, transações intrincadas de investimentos e empréstimos sobre os mais diversos formatos –, mas a base continua sendo igual. Ou seja, o desafio ainda é saber como bem administrar o dinheiro que você ganha, não apenas para poder garantir sua sobrevivência, mas também para que ele possa render a você uma boa qualidade de vida e mais riquezas no futuro.

Tratando da riqueza na Babilônia, passamos então a, brevemente, apresentar as sete lições para lidar com a falta de dinheiro que, nas palavras do autor, devem ser aprendidas para que sejamos capazes de plantar em nossas vidas as sementes da riqueza.

1. Comece a fazer seu dinheiro crescer

A maioria das pessoas sabe bem como gastar, antes de pensar em poupar ou fazer o dinheiro render. Assim, a primeira lição se baseia justamente em inverter a lógica e passar a pensar primeiro em como fazer o dinheiro crescer.

2. Controle seus gastos

Qual é, hoje, o total dos seus gastos mensais? Eles cabem em suas receitas? A segunda lição se baseia exatamente na necessidade de ter essa visão, com o controle de seu orçamento.

3. Multiplique seus rendimentos

Colocar o dinheiro para trabalhar para você é uma atitude que certamente dará um salto de qualidade na sua vida financeira. Porém, poucas pessoas o fazem, receando ser complicado. A terceira lição trata dessa capacidade do dinheiro em gerar frutos e de como você se organiza para conseguir colocá-lo para trabalhar para você!

4. Proteja seu tesouro contra a perda

É importante conhecer as diferentes maneiras de como proteger seu patrimônio, para que seu planejamento financeiro não se frustre. A quarta lição trata, então, da necessidade de precaução e proteção, ou seja, de sempre buscar a segurança adequada para você, sabendo exatamente o risco que se pode assumir.

5. Faça do lar um investimento lucrativo

Desde os antigos babilônios, a moradia representa um gasto significativo no orçamento doméstico – ao mesmo tempo em que é um elemento importante na qualidade da vida familiar. Assim, a quinta lição trata desse nobre investimento.

6. Assegure uma renda para o futuro

Pensar no futuro é algo fundamental em finanças pessoais, sobretudo em relação ao rendimento necessário e existente após sua vida laboral, na sua aposentadoria. A sexta lição trata então da necessidade de se ter um plano B para o futuro, não confiando tão somente nos rendimentos oriundos de uma aposentadoria formal.

7. Aumente sua capacidade para ganhar

O melhor investimento que você pode fazer é em si mesmo. Estudar finanças e investimentos, desenvolver novas habilidades, fazer cursos e treinamentos, aprender sempre – esse é elemento importante para o caminho da prosperidade. A sétima lição dos ricos babilônios é justamente aumentar sua capacidade de ganhar dinheiro, passo efetivo para começar a ganhar mais todo mês.

Vê-se, portanto, que as lições delineadas pelos antigos babilônios são atemporais e de aplicabilidade imediata. Conhecê-las é o primeiro passo, mas implementá-las e torná-las um hábito é o verdadeiro caminho para o sucesso.

Nos próximos artigos vamos explorar cada uma dessas sete lições, trazendo exemplos de como você pode aplicá-las em seu cotidiano e, particularmente, nesse momento de crise.

Para ser rico, além de querer de verdade, é necessário compreender que a aprendizagem e o conhecimento – sobretudo nos momentos de crise – fazem toda a diferença para se atingir uma vida financeiramente equilibrada. Esperamos com isso, contribuir para que você seja capaz de plantar as sementes da riqueza em sua vida.

Para mais dicas sobre finanças, siga a página @curtafinancas, no instagram!

Elvira é doutora em Administração pela FGV e possui ampla experiência com educação financeira. Chael é doutor em Administração pela UNB e criador do @curtafinancas no Instagram.

Nova vida na Crise: mude o lado da moeda, por Chael Mazza e Elvira Cruvinel

Quando se fala nos impactos econômicos do Covid-19, o que se percebe é uma deterioração generalizada dos mercados, com quedas nas bolsas de valores, desvalorização dos investimentos, redução nas expectativas de longo prazo e aumento no número de desempregados. Assim, é comum pensarmos que, do ponto de vista financeiro, todos estão vivenciando uma grande turbulência nesse período. Isso pode até ser verdade para a grande maioria das pessoas, mas existe um grupo reduzido de pessoas que, em virtude de boas práticas de educação financeira e investimentos, conseguem aproveitar as oportunidades que eventos assim trazem para ganhar mais dinheiro.

A verdade é que os impactos da crise podem ser opostos para diferentes tipos de pessoas, como os dois lados de uma moeda. Enquanto uns estão perdendo dinheiro, outros estão ganhando. 

Se pudéssemos desenhar uma pessoa do primeiro grupo, os pagadores de juros – dinheiro que você perde do nada –, que características ela teria? Normalmente, essa pessoa foge de qualquer tipo de conversa sobre dinheiro ou fica desconcertada com a discussão, porque está sempre devendo. Ela tem muito receio de falar de suas finanças e seus gastos, pois teme ser julgada pelos demais. Isso é quase um tabu para ela, refletindo o comportamento em toda a sua família, por vezes. Essa mesma pessoa está sempre apertada financeiramente, raramente, para não dizer nunca, você a verá dizendo que está tranquila em relação ao dinheiro e às contas a pagar. E, o pior, ela não faz a mínima ideia de onde vem e muito menos para onde vai o seu dinheiro. Ele simplesmente se esvai em suas mãos. Desenho feito, você se reconhece em algumas dessas características?

Essa pessoa se parece com você?

E a pessoa do outro lado, dos ganhadores de juros – dinheiro que parece chegar do nada –, que características ela teria? Ela adora um orçamento e não tem medo de falar do assunto. Gosta de dar conselhos e palpites sobre investimentos. Controla suas finanças, então, de modo rotineiro, tanto no aspecto das despesas quanto da rentabilidade de seus investimentos e de suas receitas. O que, por sinal, é outra importante característica: ela quase sempre possui mais de uma fonte de renda, não dependendo então de uma só. E o que faz com essa receita? Investe regularmente e com visão de longo prazo, pois sabe exatamente onde quer chegar e quando o fará.

Para você, o dinheiro some ou aparece de repente?

Se você está pensando que talvez seja a hora de mudar de lado dessa moeda, o que precisa fazer? Primeiramente, deve acreditar que a possibilidade de transição existe. Em segundo lugar, é preciso querer mudar de lado, querer de verdade.

Podemos dividir os passos nesse caminho para o lado “dos que ganham juros” em cinco ações que você pode começar a fazer hoje, para voar cada vez mais alto em termos financeiros.

  1. Ter uma meta financeira é um primeiro passo, muito relevante

Só sabendo onde você quer chegar é que você chega lá. Isso requer um olhar para si mesmo e para sua vida, de pensar ou repensar seus valores e suas atitudes. O que eu desejo para minha vida financeira? Ter uma casa própria, dar mais conforto para minha família, fazer uma viagem, uma boa aposentadoria ou simplesmente pagar minhas contas? Se estou endividado, o caminho a ser trilhado pode ser um pouco mais cheio de pedregulhos. Em qualquer caso, você precisa ter bem definido o quanto de dinheiro você quer juntar, em quanto tempo e quanto guardará todo mês para alcançar sua meta.

  1. O orçamento pessoal é a chave para essa organização das ideias e principalmente dos números

Sim, você vai ter que olhar para os números, para os valores de suas despesas e receitas. Você irá se surpreender quando, ao final de uma primeira semana de anotações de todos os seus gastos, você constatar para onde está indo seu dinheiro. Pode, inclusive, ter alguns sustos!

Agora, você então preparou seu orçamento pessoal, numa planilha no computador, num aplicativo de finanças pessoais ou mesmo nas folhas de um caderno, não importa. Anotou por um período – uma semana já dá uma ideia, mas um mês é o ideal – todas suas despesas, aquelas fixas – que você deve pagar necessariamente todos os meses, como aluguel, luz, água, mensalidade escolar etc. – ou em determinados meses do ano – como o IPVA e a matrícula escolar – e as despesas variáveis – que dependem da realização no período, como a compra de uma roupa nova ou de um conserto inesperado em sua casa, como exemplos.

Verificou então que o padrão de despesas é incompatível com sua renda. Em outras palavras, você está gastando mais do que tem! Nesse ponto, você tem dois caminhos, não excludentes, e que devem envolver uma conversa franca com toda a família: cortar despesas e aumentar a renda. Em relação às despesas, comece com os desperdícios, supérfluos ou tudo aquilo que não é realmente essencial. Sobre renda extra, inove, crie, veja com os amigos quais seriam as possibilidades. Você irá se surpreender de quantas oportunidades de ganhar mais dinheiro tem passado por você! Observe que, se você estiver endividado, o controle e a renegociação das dívidas são condições para seu plano dar certo. E, ao renegociar, comece sempre pelas dívidas mais caras, aquelas pelas quais você paga mais juros.

Feito isso, sua vida financeira tende a entrar em um razoável equilíbrio. Pode demorar alguns meses, a depender da situação em que você se encontra, mas o alento é saber que seu problema começou a ser resolvido e que, após esse período, você estará apto a começar a transição para o outro lado da moeda, daqueles que ganham juros.

  1. Investimentos regulares são a chave para o sucesso

Muitos acreditam que investir é arriscado. Que precisa de muito dinheiro para começar e que os termos explicados pelos assessores de investimento são confusos. Na verdade, o que conta mais do que escolher o investimento que dará o maior lucro é a persistência de investir sempre. Se você investe todo mês, digamos 10% do seu salário, mesmo que seja na caderneta de poupança, verá que ao longo do tempo aquele volume começa a se acumular.

Ainda mais interessante, você descobrirá que os investimentos geram lucros sobre os lucros – os famosos juros compostos – e que no início pode parecer pouco, mas que ao longo do tempo o montante de dinheiro que você recebe sempre cresce. Chega a um ponto – que não é da noite para o dia – onde você se surpreende ao perceber que está gerando dinheiro suficiente para cobrir suas despesas fixas, ou quem sabe até largar seu trabalho e viver apenas da renda dos investimentos. Definir uma quantia fixa para investir todo mês, e seguir com a mesma determinação com que você paga sua conta de água e luz todo mês, é o que fará a diferença na sua vida.

Outra estratégia fundamental é definir esse valor de investimento mensal, se sua renda for mensal, e já depositá-lo logo na largada, ou seja, assim que receber seu dinheiro. Ou seja, pague-se primeiro! O valor que sobrar é o montante onde as despesas devem ser encaixadas.

  1. Ter outras fontes de renda traz tranquilidade, principalmente na hora do aperto

A maioria das pessoas comprou a ideia de que precisa trabalhar em um emprego fixo regular, para no futuro se aposentar e viver com uma renda próxima, mas raramente igual, ao seu último salário. Trata-se de uma visão interessante, mas que não necessariamente precisa ser seguida à risca.

Importante lembrar que os investimentos, por si só, tornam-se uma fonte de renda adicional no futuro, pois se você gastar apenas os juros gerados todo ano, sem nunca sacar dinheiro do capital principal, perceberá que possui uma fonte extra de renda. Mas, além dos investimentos, existem outras opções. Prestar consultoria, ministrar palestras, investir em startups, criar um blog, dar aulas e mais uma infinidade de atividades que possuem capacidade de gerar renda adicional estão à disposição, e poucos aproveitam. Escrever um livro – pode ser um e-book – nunca esteve tão fácil e acessível quanto hoje, e pode ser uma fonte de renda também.

Ter fontes paralelas de renda trazem muito mais do que apenas dinheiro. Levam consigo a satisfação pessoal e a tranquilidade de não depender apenas de uma fonte única. Pessoas que ganham juros possuem diferentes fontes de renda, assim, se perdem o emprego principal – ou simplesmente decidem que não precisam mais trabalhar – é apenas uma dentre tantas fontes de renda que as sustentam.

  1. Estude como ganhar dinheiro, respire investimentos, curta finanças.

Se você quer ser um bom médico, o que deve fazer? Estudar bastante no ensino médio, fazer uma faculdade na área, uma residência e estudar muita medicina? O impressionante é o tanto de gente que quer ganhar dinheiro e ficar rico, ou apenas quitar suas dívidas, sem estudar finanças e investimentos. Alguma coisa está faltando nessa lógica.

Para conseguir passar para o lado dos ganhadores de juros e ter a tão sonhada tranquilidade financeira, inevitavelmente deve aprender cada vez mais como organizar melhor suas finanças e como fazer o dinheiro trabalhar para você. Não existe fórmula mágica ou investimento garantido, mas apenas a boa e velha paciência em sentar com calma para estudar como ganhar dinheiro. Da mesma forma que o dinheiro investido rende juros sobre os lucros ao longo do tempo, o conhecimento que se acumula com muita dedicação aos estudos cresce exponencialmente, com a vantagem que sua renda e patrimônio crescem junto com ele.

“Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros” (Benjamin Franklin)

Para mais dicas sobre finanças, siga a página @curtafinancas, no Instagram!

Dinheiro Na Crise: Dois Lados De Uma Mesma Moeda.

Por Chael Mazza e Elvira Cruvinel [1]

O ano de 2020 tem início com uma crise de proporções mundiais, ocasionada pela pandemia do Covid-19, ainda sem horizonte para seu fim. O consequente declínio econômico-financeiro, assim como o vírus, se apresenta com grandes impactos, ainda não totalmente dimensionados. Eventos dessa magnitude vêm e vão, até com certa regularidade; mas, a verdade é que ninguém consegue prever antes que aconteça. Estar preparado é a chave para o sucesso.

Independentemente da causa, ensinamentos de recessões passadas podem ser úteis nesse momento. Os ciclos econômicos sempre trazem períodos de grandes e rápidas perdas, seguidas de lentas recuperações, e a história nos mostra que, eventualmente, tudo volta ao normal. Destaque deve ser dado, então, para a importância de as pessoas se debruçarem mais atentamente sobre os benefícios em relação à existência de uma vida financeira saudável.

É exatamente nos momentos de crise que a educação financeira tem mais valor.

Crises financeiras, de proporções mundiais, possuem comportamentos bem similares. No geral, ocorrem, em média, uma vez a cada dez anos. Além disso, sempre há um período de pânico e caos com quedas astronômicas nos preços, normalmente em torno de 30% a 50%, seguidas de uma recuperação relativamente rápida. Em média, são necessários oito a doze meses para que as bolsas de valores voltem para um patamar próximo ao do momento pré-crise. O retorno do nível de emprego vai demorar mais ou menos tempo, a depender de certas características de cada país. O final dessa novela é um período de um a dois anos de recessão econômica que, normalmente, segue como consequência. 

Sendo assim, o que fazer diante desse cenário, como sobreviver ou como aproveitar oportunidades? E, ainda do ponto de vista individual, como deveríamos nos preparar para próximas crises que certamente ainda vivenciaremos? Classificando, de modo caricato, as pessoas em dois grupos – os que “pagam juros” e os que “recebem juros” –, podemos descrever duas experiências opostas, mas, ao final, a oportunidade de aprendizagem é grande para todos. Talvez, para a parcela da população que “paga juros”, essa seja uma das grandes oportunidades da crise: aprender, mesmo que na dor, sobre a importância de viver com equilíbrio financeiro. Para a outra parcela, que “recebe juros”, ainda muito menor do que a primeira, o grande ganho será aprender, na crise que vira oportunidade, como incrementar suas finanças.

O que estamos dizendo é que a mesma crise tem impactos diametralmente opostos para esses dois grupos de pessoas. Dois lados de uma mesma moeda, literalmente falando. Conhecer esses dois lados pode nos trazer boas reflexões e propostas de ação.

O que caracteriza o lado da moeda dos que pagam juros? Normalmente endividados, se já não estavam em boa situação financeira, passam para uma situação de realmente ter que se reinventar, de modo a não aprofundar “sua crise pessoal” ou mesmo para sobreviver nesse período. Algumas características básicas das pessoas desse lado da moeda:

  • Gastam mais do que ganham.
  • Trabalham para ganhar dinheiro.
  • Possuem medo ou receio de olhar suas finanças.
  • Não destinam nada para investimentos.
  • Compram parcelado.
  • Possuem vários cartões de crédito.
  • Estão sempre pagando juros de cartão de crédito, carro e imóvel.
  • Não possuem metas financeiras definidas.
  • Não possuem reserva financeira para emergências.
  • Não possuem um plano B caso percam o emprego.
  • Não estudam educação financeira.

Em contrapartida, o que podemos aprender com aqueles do lado da moeda dos que recebem juros? Comumente, estão preparados para as adversidades e, mais ainda, para tirar proveito dos movimentos financeiros decorrentes da crise. Possuem um bom nível de educação financeira e um bom relacionamento com seu dinheiro. Podemos dizer que:

  • Gastam menos do que ganham.
  • Fazem o dinheiro trabalhar para eles.
  • Possuem controle de suas receitas e despesas.
  • Investem regularmente uma parte fixa de seus salários
  • Compram à vista.
  • Possuem, quando muito, um cartão de crédito.
  • Estão sempre recebendo juros de diferentes fontes de renda.
  • Sabem exatamente quanto querem ter e quanto tempo vai levar.
  • Possuem reserva financeira para emergências.
  • Possuem plano B, C e D caso percam o emprego.
  • Estudam muito educação financeira e investimentos.

A verdade é que a educação financeira é à prova de qualquer crise.

Em qualquer momento, podem existir boas oportunidades. No fim, é tudo uma questão de prioridades. Estudar educação financeira e aprender como investir com tranquilidade é algo para a vida toda. A chave aqui é aprender os bons hábitos daqueles que estão ganhando juros, para aprender não apenas a surfar com segurança nas ondas das crises, mas também para navegar nos mares de calmaria que vêm na sequência.        

De que lado da moeda você está? Quer mudar de lado?

Aguarde nosso próximo artigo sobre o assunto.


[1] Chael é doutor em Administração pela UNB e criador do @curtafinancas no instagram. Elvira é doutora em Finanças Sustentáveis pela FGV e possui ampla experiência com educação financeira. O conteúdo do artigo é de inteira responsabilidade dos autores, não representando posicionamento da instituição em que trabalham.

Crises Financeiras

Nos últimos meses estamos acompanhando de perto os impactos em escala global do Covid-19, uma pandemia que está causando estragos não apenas do ponto de vista da saúde, mas também na economia. Para os investidores, é comum nesse momento surgirem perguntas amenas, tais como:

“E agora, o mundo vai acabar?” ou sua versão mais suave “Meu Deus, vou perder todo o meu dinheiro?”. Ou aquela clássica “Qual o melhor investimento para fazer agora?”

A dura verdade é que eventos assim são comuns, acontecem com certa periodicidade e bagunçam bem a vida financeira das pessoas. O que muitos sabem é que nesses períodos a bolsa de valores dá aquela mergulhada de cabeça rumo ao mar da depressão, as taxas de juros mudam igual um ventilador, o desemprego pega muita gente de surpresa e paira no ar aquele cheiro de “será que isso vai ter um fim?”. O que poucos sabem é que na vida tudo passa (até a uva), que movimentos bruscos são repentinos e se recuperam rápido e que é justamente nesse momento onde excelentes oportunidades de investimento estão disponíveis.

Imagine que uma crise econômica é um passeio em uma montanha russa. Você aperta os cintos e começa subindo devagarzinho, achando que tudo está bem e tranquilo. De repente (não mais que de repente), você tem aquela descida fulminante que te faz arrepiar os pelos do umbigo, rápida e emocionante. Covid-19, crise política, queda do petróleo, desemprego, crise econômica, medo, terror, zumbis, apocalipse, tudo junto e misturado. Mas na sequência, assim como caiu de repente, começa a subir do nada. Você até desconfia e pensa “esse brinquedo está querendo me enganar” e é verdade. Sobe um pouquinho só para cair mais, em uma recessão que normalmente se segue. No fim do passeio vem a luz, a recuperação, aquela subida que supera em muito a primeira subida para começar todo o passeio de novo.

Em outras palavras, temos uma queda repentina de normalmente 30%-50%, seguida de uma subida de recuperação, tão rápida quanto a queda, depois mais uma queda causada pela recessão para depois subir sem parar. Quatro momentos, quatro estratégias. E o meu conselho nessa hora é simples:

Quando começar a subir sem parar, esteja comprado.

Não é o Tanto que Você Ganha, Mas Sim o Tanto que Você Guarda!

Se essa não for a lição mais importante de finanças e investimentos, eu não sei mais de nada.

Vou contar um segredo muito importante: a consistência fará você ganhar dinheiro no longo prazo, e ser rico é só uma questão de tempo (e persistência).

É comum você ouvir frases do tipo “Ah, se eu ganhasse mais dinheiro, se eu fosse promovido, se achasse uma mala de dinheiro na esquina, todos os meus problemas estariam resolvidos. Preciso que a vida apenas me dê uma oportunidade…”

Sinto em dizer que não é assim que funciona. Se você ganhar muito dinheiro, mas mantiver a mesma mentalidade, provavelmente irá gastar tudo comprando imóveis, carros, viajando e o resto desperdiçar, sem controle nenhum. Assim, logo estará no mesmo estágio de antes. Não é à toa que grande parte dos ganhadores da loteria gastam tudo e voltam a ficar na mesma em pouco mais de um ano depois de acharem o bilhete premiado.

Imagine que finanças é tipo o filme do Rock Balboa. Você está lá, cansado de apanhar, vendo suas dívidas aumentarem e seu dinheiro indo para lugares onde você jamais imaginou que poderia ir, e chega o Stallone e fala para você: “Meu filho, na vida não é o tanto que você ganha, mas sim o tanto que você guarda. É o tanto que você poupa todo mês que faz a diferença”. E de repente, puff! Sua vida nunca mais será a mesma.

A verdade é que se você gastar menos do que ganha, e guardar um pouco todo mês, no longo prazo vai ver que é isso que faz a diferença.

Investir não é um tiro de 100 metros rasos, mas sim uma maratona. Em outras palavras, não é questão de encontrar o melhor investimento e ficar rico rápido, mas ter fôlego para investir sempre, mesmo que de pouco em pouco, pois no longo prazo você chega lá. Na corrida para ver quem fica rico, não importa a posição. Basta cruzar a linha de chegada.

O Que Você Faria Com Um Milhão de Reais?

“Ah, mas que pergunta fácil! Primeiro eu iria pagar todas as minhas dívidas. Depois, uhm, iria trocar de carro e quem sabe comprar um novo apartamento. Ainda faria um churrascão para comemorar, com tudo pago para amigos e família!”

Você se identificou com o relato acima? Se sim, parabéns! Você faz parte da grande maioria da população do universo que quando recebe dinheiro, a primeira coisa que vem na cabeça é como gastar. Mas não se preocupe, isso tem cura!

A ideia que quero trazer aqui vai mudar a forma como você enxerga o seu dinheiro e suas finanças, e isso tudo em termos muito simples. Nada contra fazer tudo aquilo ali em cima. O que eu sugiro é que ANTES DE PENSAR EM COMO GASTAR, VOCÊ PENSE EM COMO FAZER O DINHEIRO RENDER.

Isso mesmo que você ouviu! O dinheiro tem o incrível poder mágico de gerar mais dinheiro, sem você precisar fazer nada. Basta investir de forma correta e pimba! Juros compostos! Dinheiro entrando do nada. Alegria e sorriso maroto de quem ganha dinheiro literalmente para não fazer nada.

Quer ver um exemplo? Se você colocar um milhão de reais em um investimento de renda fixa, seguro e sem risco, a uma taxa de 4% ao ano, você terá uma rentabilidade média mensal de R$ 3.300,00!

Sério, de verdade! Você ganha mais de 3 mil reais por mês para não fazer nada, e ISSO SEM GASTAR O UM MILHÃO DE REAIS (PRINCIPAL). Eles estarão ali, para todo o sempre, rendendo dinheiro para você. Mas o melhor não é só isso! Se você não mexer, como são juros compostos, no outro ano ganhará ainda mais (uns R$ 3.400,00) e depois mais, e mais, e mais e ufa! Máquina de fazer dinheiro.  

Mais um caso prático! Investindo um milhão de reais com uma rentabilidade de 1% ao mês (possível estudando finanças) você consegue DUPLICAR O VALOR EM SEIS ANOS. Maravilha das maravilhas, você consegue gerar um milhão a partir de um milhão em apenas seis anos. Onde isso vai parar? A verdade é que não para. ENQUANTO ESTIVER INVESTIDO, O DINHEIRO ESTARÁ TRABALHANDO PARA VOCÊ.

E isso vale para qualquer quantia. Não precisa esperar ganhar um milhão não (ufa)! Qualquer dinheiro que você junte todo mês tem esse poder.

E então, depois disso tudo, o que você faria com um milhão de reais?

Eu por exemplo transformaria em dois milhões, depois cinco, depois dez. Depois ajudaria um monte de gente sem gastar o principal. Mas isso é conversa para outro artigo 🙂