Nova vida na Crise: mude o lado da moeda, por Chael Mazza e Elvira Cruvinel

Quando se fala nos impactos econômicos do Covid-19, o que se percebe é uma deterioração generalizada dos mercados, com quedas nas bolsas de valores, desvalorização dos investimentos, redução nas expectativas de longo prazo e aumento no número de desempregados. Assim, é comum pensarmos que, do ponto de vista financeiro, todos estão vivenciando uma grande turbulência nesse período. Isso pode até ser verdade para a grande maioria das pessoas, mas existe um grupo reduzido de pessoas que, em virtude de boas práticas de educação financeira e investimentos, conseguem aproveitar as oportunidades que eventos assim trazem para ganhar mais dinheiro.

A verdade é que os impactos da crise podem ser opostos para diferentes tipos de pessoas, como os dois lados de uma moeda. Enquanto uns estão perdendo dinheiro, outros estão ganhando. 

Se pudéssemos desenhar uma pessoa do primeiro grupo, os pagadores de juros – dinheiro que você perde do nada –, que características ela teria? Normalmente, essa pessoa foge de qualquer tipo de conversa sobre dinheiro ou fica desconcertada com a discussão, porque está sempre devendo. Ela tem muito receio de falar de suas finanças e seus gastos, pois teme ser julgada pelos demais. Isso é quase um tabu para ela, refletindo o comportamento em toda a sua família, por vezes. Essa mesma pessoa está sempre apertada financeiramente, raramente, para não dizer nunca, você a verá dizendo que está tranquila em relação ao dinheiro e às contas a pagar. E, o pior, ela não faz a mínima ideia de onde vem e muito menos para onde vai o seu dinheiro. Ele simplesmente se esvai em suas mãos. Desenho feito, você se reconhece em algumas dessas características?

Essa pessoa se parece com você?

E a pessoa do outro lado, dos ganhadores de juros – dinheiro que parece chegar do nada –, que características ela teria? Ela adora um orçamento e não tem medo de falar do assunto. Gosta de dar conselhos e palpites sobre investimentos. Controla suas finanças, então, de modo rotineiro, tanto no aspecto das despesas quanto da rentabilidade de seus investimentos e de suas receitas. O que, por sinal, é outra importante característica: ela quase sempre possui mais de uma fonte de renda, não dependendo então de uma só. E o que faz com essa receita? Investe regularmente e com visão de longo prazo, pois sabe exatamente onde quer chegar e quando o fará.

Para você, o dinheiro some ou aparece de repente?

Se você está pensando que talvez seja a hora de mudar de lado dessa moeda, o que precisa fazer? Primeiramente, deve acreditar que a possibilidade de transição existe. Em segundo lugar, é preciso querer mudar de lado, querer de verdade.

Podemos dividir os passos nesse caminho para o lado “dos que ganham juros” em cinco ações que você pode começar a fazer hoje, para voar cada vez mais alto em termos financeiros.

  1. Ter uma meta financeira é um primeiro passo, muito relevante

Só sabendo onde você quer chegar é que você chega lá. Isso requer um olhar para si mesmo e para sua vida, de pensar ou repensar seus valores e suas atitudes. O que eu desejo para minha vida financeira? Ter uma casa própria, dar mais conforto para minha família, fazer uma viagem, uma boa aposentadoria ou simplesmente pagar minhas contas? Se estou endividado, o caminho a ser trilhado pode ser um pouco mais cheio de pedregulhos. Em qualquer caso, você precisa ter bem definido o quanto de dinheiro você quer juntar, em quanto tempo e quanto guardará todo mês para alcançar sua meta.

  1. O orçamento pessoal é a chave para essa organização das ideias e principalmente dos números

Sim, você vai ter que olhar para os números, para os valores de suas despesas e receitas. Você irá se surpreender quando, ao final de uma primeira semana de anotações de todos os seus gastos, você constatar para onde está indo seu dinheiro. Pode, inclusive, ter alguns sustos!

Agora, você então preparou seu orçamento pessoal, numa planilha no computador, num aplicativo de finanças pessoais ou mesmo nas folhas de um caderno, não importa. Anotou por um período – uma semana já dá uma ideia, mas um mês é o ideal – todas suas despesas, aquelas fixas – que você deve pagar necessariamente todos os meses, como aluguel, luz, água, mensalidade escolar etc. – ou em determinados meses do ano – como o IPVA e a matrícula escolar – e as despesas variáveis – que dependem da realização no período, como a compra de uma roupa nova ou de um conserto inesperado em sua casa, como exemplos.

Verificou então que o padrão de despesas é incompatível com sua renda. Em outras palavras, você está gastando mais do que tem! Nesse ponto, você tem dois caminhos, não excludentes, e que devem envolver uma conversa franca com toda a família: cortar despesas e aumentar a renda. Em relação às despesas, comece com os desperdícios, supérfluos ou tudo aquilo que não é realmente essencial. Sobre renda extra, inove, crie, veja com os amigos quais seriam as possibilidades. Você irá se surpreender de quantas oportunidades de ganhar mais dinheiro tem passado por você! Observe que, se você estiver endividado, o controle e a renegociação das dívidas são condições para seu plano dar certo. E, ao renegociar, comece sempre pelas dívidas mais caras, aquelas pelas quais você paga mais juros.

Feito isso, sua vida financeira tende a entrar em um razoável equilíbrio. Pode demorar alguns meses, a depender da situação em que você se encontra, mas o alento é saber que seu problema começou a ser resolvido e que, após esse período, você estará apto a começar a transição para o outro lado da moeda, daqueles que ganham juros.

  1. Investimentos regulares são a chave para o sucesso

Muitos acreditam que investir é arriscado. Que precisa de muito dinheiro para começar e que os termos explicados pelos assessores de investimento são confusos. Na verdade, o que conta mais do que escolher o investimento que dará o maior lucro é a persistência de investir sempre. Se você investe todo mês, digamos 10% do seu salário, mesmo que seja na caderneta de poupança, verá que ao longo do tempo aquele volume começa a se acumular.

Ainda mais interessante, você descobrirá que os investimentos geram lucros sobre os lucros – os famosos juros compostos – e que no início pode parecer pouco, mas que ao longo do tempo o montante de dinheiro que você recebe sempre cresce. Chega a um ponto – que não é da noite para o dia – onde você se surpreende ao perceber que está gerando dinheiro suficiente para cobrir suas despesas fixas, ou quem sabe até largar seu trabalho e viver apenas da renda dos investimentos. Definir uma quantia fixa para investir todo mês, e seguir com a mesma determinação com que você paga sua conta de água e luz todo mês, é o que fará a diferença na sua vida.

Outra estratégia fundamental é definir esse valor de investimento mensal, se sua renda for mensal, e já depositá-lo logo na largada, ou seja, assim que receber seu dinheiro. Ou seja, pague-se primeiro! O valor que sobrar é o montante onde as despesas devem ser encaixadas.

  1. Ter outras fontes de renda traz tranquilidade, principalmente na hora do aperto

A maioria das pessoas comprou a ideia de que precisa trabalhar em um emprego fixo regular, para no futuro se aposentar e viver com uma renda próxima, mas raramente igual, ao seu último salário. Trata-se de uma visão interessante, mas que não necessariamente precisa ser seguida à risca.

Importante lembrar que os investimentos, por si só, tornam-se uma fonte de renda adicional no futuro, pois se você gastar apenas os juros gerados todo ano, sem nunca sacar dinheiro do capital principal, perceberá que possui uma fonte extra de renda. Mas, além dos investimentos, existem outras opções. Prestar consultoria, ministrar palestras, investir em startups, criar um blog, dar aulas e mais uma infinidade de atividades que possuem capacidade de gerar renda adicional estão à disposição, e poucos aproveitam. Escrever um livro – pode ser um e-book – nunca esteve tão fácil e acessível quanto hoje, e pode ser uma fonte de renda também.

Ter fontes paralelas de renda trazem muito mais do que apenas dinheiro. Levam consigo a satisfação pessoal e a tranquilidade de não depender apenas de uma fonte única. Pessoas que ganham juros possuem diferentes fontes de renda, assim, se perdem o emprego principal – ou simplesmente decidem que não precisam mais trabalhar – é apenas uma dentre tantas fontes de renda que as sustentam.

  1. Estude como ganhar dinheiro, respire investimentos, curta finanças.

Se você quer ser um bom médico, o que deve fazer? Estudar bastante no ensino médio, fazer uma faculdade na área, uma residência e estudar muita medicina? O impressionante é o tanto de gente que quer ganhar dinheiro e ficar rico, ou apenas quitar suas dívidas, sem estudar finanças e investimentos. Alguma coisa está faltando nessa lógica.

Para conseguir passar para o lado dos ganhadores de juros e ter a tão sonhada tranquilidade financeira, inevitavelmente deve aprender cada vez mais como organizar melhor suas finanças e como fazer o dinheiro trabalhar para você. Não existe fórmula mágica ou investimento garantido, mas apenas a boa e velha paciência em sentar com calma para estudar como ganhar dinheiro. Da mesma forma que o dinheiro investido rende juros sobre os lucros ao longo do tempo, o conhecimento que se acumula com muita dedicação aos estudos cresce exponencialmente, com a vantagem que sua renda e patrimônio crescem junto com ele.

“Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros” (Benjamin Franklin)

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Crises Financeiras

Nos últimos meses estamos acompanhando de perto os impactos em escala global do Covid-19, uma pandemia que está causando estragos não apenas do ponto de vista da saúde, mas também na economia. Para os investidores, é comum nesse momento surgirem perguntas amenas, tais como:

“E agora, o mundo vai acabar?” ou sua versão mais suave “Meu Deus, vou perder todo o meu dinheiro?”. Ou aquela clássica “Qual o melhor investimento para fazer agora?”

A dura verdade é que eventos assim são comuns, acontecem com certa periodicidade e bagunçam bem a vida financeira das pessoas. O que muitos sabem é que nesses períodos a bolsa de valores dá aquela mergulhada de cabeça rumo ao mar da depressão, as taxas de juros mudam igual um ventilador, o desemprego pega muita gente de surpresa e paira no ar aquele cheiro de “será que isso vai ter um fim?”. O que poucos sabem é que na vida tudo passa (até a uva), que movimentos bruscos são repentinos e se recuperam rápido e que é justamente nesse momento onde excelentes oportunidades de investimento estão disponíveis.

Imagine que uma crise econômica é um passeio em uma montanha russa. Você aperta os cintos e começa subindo devagarzinho, achando que tudo está bem e tranquilo. De repente (não mais que de repente), você tem aquela descida fulminante que te faz arrepiar os pelos do umbigo, rápida e emocionante. Covid-19, crise política, queda do petróleo, desemprego, crise econômica, medo, terror, zumbis, apocalipse, tudo junto e misturado. Mas na sequência, assim como caiu de repente, começa a subir do nada. Você até desconfia e pensa “esse brinquedo está querendo me enganar” e é verdade. Sobe um pouquinho só para cair mais, em uma recessão que normalmente se segue. No fim do passeio vem a luz, a recuperação, aquela subida que supera em muito a primeira subida para começar todo o passeio de novo.

Em outras palavras, temos uma queda repentina de normalmente 30%-50%, seguida de uma subida de recuperação, tão rápida quanto a queda, depois mais uma queda causada pela recessão para depois subir sem parar. Quatro momentos, quatro estratégias. E o meu conselho nessa hora é simples:

Quando começar a subir sem parar, esteja comprado.